1. Contexto histórico
A série de pequenas denominações em bronze (entre elas o 1 centavo) foi definida durante a Primeira República para o sistema do escudo (escudo introduzido em 1911). A emissão da série foi criada pela Lei nº 679 (21 de abril de 1917) e as moedas entraram em circulação a partir de novembro de 1917. A produção desta família decorre até aos inícios dos anos 1920; a emissão da série foi oficialmente encerrada por legislação posterior nos anos 1920.
2. Autor e desenho
O autor (escultor / gravador) do motivo desta série é Domingos Alves do Rego. No anverso aparece o brasão nacional (escudo com esfera armilar), e no reverso o valor central rodeado pela legenda e a data na base — composição típica e austera da Primeira República.
3. Especificações técnicas (características físicas)
- Calendário de cunhagem: 1917 (e anos seguintes até 1922 em variantes semelhantes).
- Metal / liga: bronze (composição reportada como aproximadamente Cu 960 – Sn 20 – Zn 20 nas primeiras emissões).
- Peso: 3,0 g.
- Diâmetro: 19,0 mm.
- Espessura: ~1,6 mm.
- Bordo: liso (sem serrilha).
- Referência de catálogo: KM#565; Numista #4931.
4. Tiragem e circulação
Segundo registos de casas numismáticas e catálogos, a tiragem do ano 1917 foi de 2 250 000 exemplares; a emissão acumulada do tipo (1917–1921/22) perfaz dezenas de milhões (registos citam cerca de 43 030 000 para o conjunto das datas daquela série). Isto explica porque a peça é relativamente comum nos graus mais baixos.
5. Variantes e problemas de cunhagem
- Existem variantes causadas por desgaste/fendilhamento do cunho: legendas incompletas, fendas no cunho ou “cunho cansado”. Essas variantes podem interessar colecionadores especializados.
6. Raridade e avaliação comercial (valor numismático)
- Raridade: de modo geral a moeda não é rara nas condições circuladas (BC–MBC). As tiragens elevadas tornam-na uma peça de fácil aquisição para coleções da Primeira República.
- Valores de mercado (orientativos): anúncios em mercados e lojas especializadas mostram preços muito variáveis conforme estado de conservação:
- Exemplares muito circulados / estado pobre: casas e vendedores listam preços frequentemente abaixo de €1–€3.
- Estados médios (BC/MBC): tipicamente €2–€8 em lojas e plataformas de venda.
- Exemplares em muito bom estado (Bela/FDC/UNC) ou certificadas por serviços (NGC/PCGS) podem alcançar valores superiores — anúncios e leilões mostram preços que variam, podendo ir de algumas dezenas de euros para peças excepcionalmente conservadas ou com interesse especial (variante, erro de cunho, etc.).
Nota: os valores acima são orientativos e derivados de anúncios de mercado, catálogos on-line e leilões; preços reais dependem do mercado na altura da venda, estado de conservação, proveniência e certificação. Para uma avaliação precisa, recomenda-se inspeção presencial por um especialista ou envio a serviço de certificação.
7. Como avaliar o estado e o preço da sua peça
- Identifique a data e verifique a legenda: procure sinais de cunho fendido ou variações.
- Classifique o estado: use critérios comuns (BC = Bom, MBC = Muito Bom, BE = Excelente / Bela, FDC = Flan não circulado). Exemplares com brilho original, sem riscos e com alto relevo (FDC/UNC) são substancialmente mais valiosos.
- Procure variantes ou erros: fendas de cunho, legendas faltantes, ou marcas incomuns podem aumentar o interesse colecionável.
- Consulte referências de catálogo (Numista, catálogo KM e listas de leilões) e comparativos em marketplaces (eBay, OLX, casas especializadas) para preços recentes.
8. Dicas práticas para venda/compra
- Se pretende vender, obtenha boas fotografias (anverso/reverso, bordos), descreva o estado com precisão e compare preços em alguns canais (lojas numismáticas, eBay, plataformas nacionais). Para valores superiores a algumas dezenas de euros, considere certificação por um serviço reconhecido.
- Se vai comprar, prefira vendedores com reputação, peça fotos de detalhe e, quando possível, peça política de devolução — especialmente em compras à distância.
9. Concluindo
A moeda de 1 centavo (1917) é uma peça representativa da Primeira República portuguesa: de fabrico simples, pouco valiosa em estados comuns devido às grandes tiragens, mas interessante para quem monta séries do Escudo ou procura variantes de cunhagem. O verdadeiro valor surge em exemplares muito bem conservados, variantes raras ou em peças com certificação de qualidade.

